João Guimarães Rosa (1908–1967) revolucionou a literatura em língua portuguesa ao unir o regionalismo mais profundo à universalidade filosófica. Médico e diplomata de carreira, ele usou suas viagens pelo interior de Minas Gerais não apenas para tratar pacientes, mas para ouvir — com ouvidos de filólogo e poeta — a fala autêntica do sertanejo. Sua grande inovação foi recriar a linguagem literária brasileira, fundindo o vocabulário caipira, arcaísmos, neologismos, termos indígenas e construções sintáticas originais para capturar a alma do "sertão". Para Rosa, o sertão não era apenas um espaço geográfico de seca e miséria (como na literatura da geração de 1930), mas um território mítico, um palco onde jagunços e vaqueiros vivenciam os grandes dramas universais da humanidade: o amor, a morte, o destino e a busca por Deus.
Publicada em 1946, Sagarana é o livro de contos que marcou a estreia literária de Guimarães Rosa e o projetou imediatamente como um mestre. O próprio título da obra já é uma declaração de intenções: um neologismo magistral formado pela palavra de origem germânica "saga" (canto heroico, lenda épica) unida ao sufixo tupi "rana" (que significa "à maneira de" ou "semelhante a"). O título, portanto, traduz-se livremente como "à maneira de uma saga".
O livro reúne nove histórias ambientadas no interior mineiro, onde o realismo bruto convive de forma fluida com o mágico, o místico e o folclórico. Através de narrativas inesquecíveis como "O Burrinho Pedrês", "Duelo" e a obra-prima "A Hora e a Vez de Augusto Matraga", Rosa explora temas como a honra, a violência endêmica, a vingança e, acima de tudo, a redenção moral. Com Sagarana, o autor provou que era possível transformar a vida de tropeiros, feiticeiros e capangas em fábulas épicas de alcance universal.
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R$ 130,00Preço
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