Abílio Manuel Guerra Junqueiro (1850–1923), natural de Portugal, foi um dos mais estrondosos poetas, jornalistas e políticos da virada do século XIX para o século XX. Intelectualmente herdeiro dos ideais da famosa Geração de 70 (que incluía nomes como Eça de Queiroz e Antero de Quental), Junqueiro destacou-se por uma poesia panfletária, vibrante e profundamente engajada. Ele assumiu o papel de "consciência da nação" em um período de aguda crise moral, econômica e política. Dono de uma escrita por vezes agressiva, satírica e anticlerical, ele utilizava os versos como verdadeiras armas para fustigar o que considerava os grandes responsáveis pela decadência do país: a burguesia ociosa, o clero conservador e, acima de tudo, a monarquia.
Publicada em 1896, Pátria transcende a classificação de um simples livro de poemas. Trata-se de um grito de revolta, um libelo acusatório que funcionou como um dos maiores catalisadores ideológicos para a queda da monarquia portuguesa e a posterior implantação da República em 1910. Para compreender a fúria magnética desta obra, é necessário inseri-la em seu contexto histórico dramático: o Ultimato Britânico de 1890. Naquela época, Portugal havia elaborado o famoso "Mapa Cor-de-Rosa", reivindicando o direito histórico sobre a faixa de território africano que ligava Angola a Moçambique. Essa pretensão chocava-se diretamente com o plano imperialista inglês de construir uma ferrovia ligando o Cairo à Cidade do Cabo. A Inglaterra, antiga aliada, impôs um ultimato humilhante, ameaçando o país com o uso da força militar caso os portugueses não recuassem. O rei D. Carlos I cedeu imediatamente à pressão britânica, gerando uma onda de frustração, luto e indignação sem precedentes na população portuguesa. É dessa ferida aberta no orgulho nacional que nasce Pátria. Na obra, Guerra Junqueiro desfere um ataque virulento contra a Dinastia de Bragança, retratando o rei e a corte como traidores covardes que venderam a honra e a soberania do país. O poeta convoca, de forma dramática, os espectros dos grandes heróis das Grandes Navegações (como Nuno Álvares Pereira, Camões e o Infante D. Henrique) para julgar a miséria do presente e a fraqueza dos governantes.
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R$ 100,00Preço
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