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Harold Bloom (1930–2019) foi um gigante da crítica literária norte-americana e professor da Universidade de Yale, conhecido por sua defesa apaixonada do Cânone Ocidental contra o que ele chamava de "Escola do Ressentimento" (críticos que analisam a literatura apenas por viés político ou social). Polêmico e erudito, Bloom acreditava que a literatura superior é aquela que possui "estranheza" e poder estético autônomo, independentemente da moral da época. Ele ficou famoso por teorias como a da "angústia da influência" — a ideia de que todo grande escritor luta psiquicamente contra seus precursores para criar algo novo — e por elevar William Shakespeare ao status de inventor da psique humana moderna. Sua abordagem era gnostizante e extremamente pessoal: para ele, a leitura profunda era uma forma de salvação secular e de fortalecimento da individualidade.

 

Em Jesus e Javé: Os Nomes Divinos (2005), Bloom aplica sua formidável ferramenta de análise literária não a poetas, mas às duas figuras centrais da cultura ocidental, tratando-as estritamente como personagens dramáticos dentro de um texto. A tese central do livro é demolidora para o ecumenismo: Bloom argumenta que não existe uma verdadeira tradição "judaico-cristã", pois o Javé da Bíblia Hebraica (um ser impetuoso, humano, dinâmico e por vezes aterrorizante) é irreconciliável com o Deus Pai teológico e abstrato do Cristianismo. Da mesma forma, ele separa o Jesus histórico (o judeu enigmático de Marcos) do Cristo da fé (o dogma teológico). O livro é uma meditação melancólica de um judeu gnóstico que percebe Javé como um personagem que, inexplicavelmente, abandonou o cenário da história, deixando um vazio que a teologia cristã tentou preencher com conceitos gregos alheios à força original do texto hebraico.

Jesus e Javé - Os Nomes Divinos

R$ 100,00Preço
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