Ralph Waldo Emerson (1803–1882), natural dos Estados Unidos (nascido em Boston, Massachusetts), é o grande patriarca da literatura e da filosofia americana. Ex-pastor unitarista, ele rompeu com os dogmas da igreja tradicional para se tornar a figura central do Transcendentalismo — um movimento literário e filosófico que revolucionou o pensamento do Novo Mundo.
Emerson era o apóstolo da "Confiança em Si Mesmo" (Self-Reliance). Ele repudiava o conformismo das massas, a imitação servil da cultura europeia e a autoridade cega das instituições. Para ele, a natureza era um templo vivo e cada indivíduo possuía uma centelha do divino dentro de si. Sua prosa poética, construída em grande parte a partir de palestras, influenciou pensadores tão diversos quanto Friedrich Nietzsche, Walt Whitman e Henry David Thoreau, moldando definitivamente o ideal de individualismo e liberdade da cultura americana.
Publicada originalmente em 1850 (sob o título Representative Men), a obra é fruto de um ciclo de palestras e frequentemente comparada ao famoso livro Os Heróis, do seu amigo escocês Thomas Carlyle. Contudo, as abordagens são radicalmente opostas. Enquanto Carlyle via os grandes homens como semideuses a quem o povo devia submissão e adoração, Emerson possuía uma visão profundamente democrática e humanista.
Para Emerson, o grande gênio não surge para nos oprimir com sua superioridade, mas para servir como uma "lente" através da qual a humanidade pode enxergar o seu próprio potencial adormecido. Ele divide a genialidade humana em seis arquétipos universais, encarnados por figuras históricas imortais:
Platão: O Filósofo (o intelecto que absorve a sabedoria universal).
Emanuel Swedenborg: O Místico (a busca pelo mundo espiritual).
Michel de Montaigne: O Cético (a sabedoria prática e a aceitação da dúvida).
William Shakespeare: O Poeta (a capacidade de expressar a alma de todos os homens).
Napoleão Bonaparte: O Homem do Mundo (o homem de ação, focado no pragmatismo e no poder material).
Johann Wolfgang von Goethe: O Escritor (o homem moderno, que sintetiza a cultura).


