Alexis de Tocqueville (1805–1859) foi um pensador político, historiador e estadista francês, nascido em uma família aristocrática que sobreviveu aos excessos da Revolução Francesa. Sua posição social singular permitiu-lhe observar a transição de mundos com um olhar privilegiado: ele não rejeitava a democracia, que via como um "fato providencial" e inevitável, mas temia suas consequências para a liberdade individual. Diferente de teóricos de gabinete, Tocqueville foi um sociólogo de campo; sua viagem aos Estados Unidos em 1831, originalmente para estudar o sistema penitenciário, transformou-se em uma análise profunda sobre a essência da sociedade moderna. Ele é celebrado hoje como um dos maiores profetas do liberalismo, tendo antecipado com lucidez os riscos do totalitarismo e do "suave despotismo" democrático.
A Democracia na América é muito mais do que um relato de viagem; é um tratado sociológico sobre o funcionamento da igualdade nas sociedades modernas. A tese central de Tocqueville é que a "igualdade de condições" é o traço gerador de todos os fatos particulares na América. Contudo, ele alerta para um paradoxo perigoso: o amor excessivo pela igualdade pode levar os cidadãos a aceitarem a servidão, desde que todos sejam iguais sob o mesmo mestre. Ele identifica a "tirania da maioria" e o individualismo (o isolamento do cidadão na vida privada) como as grandes ameaças à liberdade. Para combater esses males, Tocqueville destaca os "remédios" que encontrou na América: a descentralização administrativa, a liberdade de imprensa e, crucialmente, a vibrante vida associativa civil e política, que educa o cidadão para o bem comum e impede o Estado de se tornar um tutor onipotente.
A Democracia na América
Autor: Alexis de Tocqueville
Editora: EDUSP / Itatiaia
Ano de publicação: 1977
Especificações: Bom estado de conservação
Encadernação: Capa Dura
Estado: 5/5


