Fustel de Coulanges (1830–1889), natural da França, foi um dos mais brilhantes e rigorosos historiadores do século XIX. Ele marcou época ao instituir um método de pesquisa estritamente científico, fundamentado na leitura direta e exaustiva dos textos originais da Antiguidade, rejeitando as interpretações românticas e anacrônicas de seu tempo. Sua famosa máxima era: "A história não é uma arte, é uma ciência pura". Ele não estava interessado apenas nas datas das batalhas ou nas biografias dos grandes generais, mas sim nas instituições subjacentes, nas leis e, sobretudo, nas crenças primordiais que moldavam a mentalidade do homem clássico.
Publicada em 1864, A Cidade Antiga (La Cité Antique) é um clássico absoluto e interdisciplinar das ciências humanas. Trata-se de uma leitura fundamental para a formação em Direito, História e Sociologia. A tese central e revolucionária de Coulanges é que a chave para desvendar as complexas instituições da Grécia e do Império Romano não está na política, mas na religião primitiva. A obra demonstra de forma magistral que, muito antes da popularização do panteão dos deuses de mármore (Júpiter, Marte, Minerva), a verdadeira religião greco-romana era estritamente doméstica, fundamentada no culto aos antepassados mortos e na manutenção ininterrupta do "fogo sagrado" no altar da casa. Para Coulanges, foi essa crença íntima que estruturou a família, sacramentou o direito de propriedade (pois a terra abrigava os túmulos dos mortos daquela linhagem), fundamentou o direito de herança e, gradativamente, expandiu-se para formar a gens, a tribo e, por fim, a cidade-estado (civitas). A obra oferece um mergulho profundo na historiografia do período, narrando como a lenta dissolução dessas velhas crenças patriarcais levou às revoluções sociais da plebe e ao fim do mundo antigo.
A Cidade Antiga
Autor: Fustel de Coulanges
Editora: Livraria Classica Editora
Ano de publicação: 1941
Especificações: Bom estado de conservação
Encadernação: Capa Dura
Estado: 5/5


